20 julho 2010

Jornal do Brasil...a imprensa em questão!

Os sinos não dobram quando fecha um jornal, mas dobram pelo jornalismo. Nenhum jornal é uma ilha – menos um jornal, menor a imprensa. Menos um diário, menor o continente, o mundo, a humanidade.

Lamentável, a repercussão do anúncio do fim do Jornal do Brasil impresso. Ninguém vestiu luto – só os jornalistas – porque há muito aboliu-se o luto. O luto e a luta. Sobreviventes não lamentaram, dão-se bem no jornalismo morno, sem disputa. Juntaram-se para revogar a concorrência e enterraram a porção vital do seu ofício. Esqueceram a animada dissonância, preferiram a consonância melancólica.
O derradeiro confronto jornalístico no Rio talvez tenha se travado no início dos anos 70 (ou fim dos 60) quando Roberto Marinho decidiu que O Globo não poderia ficar confinado ao esquema de vespertino e passou a circular aos domingos. Em represália, Nascimento Brito decidiu que o JB invadiria a segunda-feira. Encontro de gigantes, disputa de qualidade. Mesmo com a ditadura e a censura como pano de fundo.
Sem competição, o jornalismo perdeu seu viço; desvirtuado, virou disputa pelo poder. Sem desmerecer a mídia digital, pelo contrário, sou muito a favor dela, além de uma jornalista viciada pelo webjornalismo, mas talvez seja isso que atraiu Nelson Tanure, o empresário que investe em informática, estaleiros e faz negócios pelo negócio. Não lhe disseram que empresário de jornal não precisa escrever editoriais, basta gostar do ramo e ser fiel a ele.

"Simbólico: o fim do JB impresso foi confirmado na edição de quarta-feira (14/7) sob a forma de anúncio, publicidade. Aquela Casa não acredita em texto. E o seu jornal morreu sem epitáfio". Alberto Dines

4 comentários:

Wagner Silva disse...

Oi tudo bem, adorei seu post.

Vc poderia opinar em algo que escrevi, é importante pra mim.
Obrigado.

ah!! posso te seguir?!

wagnerporelesempre.blogspot.com

Ana disse...

Olá, honra para mim ter vc como seguidor :)
Adorei tbm seu blog, comentei e me tornarei uma leitora assidua e seguidora!
beijos

Marcos Vilella disse...

Lá pelos anos 70 e qualquer coisa, aos domingos, acompanhava meu pai para comprar o JB. Era um ritual ir a banca do subúrbio, pois segundo ele era um jornal que" pensava diferente".
Eu cresci com essa idéia na cabeça,cheguei inclusive a visitar a sede do JB na Av. Brasil e perceber esse pensamento diferente.
É claro que as coisas mudaram etc...
Mas a briga agora perdeu mais um pouco da sua graça,e vamos perdendo,perdendo.

Ana disse...

Marcos, homem de visão seu pai e sorte a sua ter essa chance maravilhosa de viver isso.... vai ficar pra história e na lembrança! Muito bom conhecer pessoas que compartilham os mesmos ideias! Gostei muito do seu blog Geograficamente Inviável! Vou ler vc sempre! Abraços